A habitação tornou-se um dos principais ativos financeiros do capitalismo contemporâneo e o pilar de uma economia rentista que extrai riqueza da propriedade, alimentada pela especulação e à custa do direito a habitar. Com os preços cada vez mais inacessíveis, a casa própria afasta-se do horizonte de grande parte da população e uma nova geração de inquilinas e inquilinos emerge, confrontada com a instabilidade e a precariedade. O que está em causa é mais do que o fim de uma aspiração das classes médias: é uma profunda transformação da estrutura social, em que a propriedade da habitação determina cada vez mais a posição económica, as oportunidades e a segurança de cada pessoa. A crise da habitação corrói os alicerces do Estado social, agrava as desigualdades e converte o arrendamento numa das principais fontes de empobrecimento. Ter ou não ter casa — e em que condições — tornou-se uma linha divisória entre quem pode construir um futuro com segurança e quem vive sob a ameaça permanente da precariedade. Geração Inquilina aponta um caminho para transformar esta realidade: um novo paradigma habitacional assente no direito a habitar, na justiça social e na democratização do território. Perante o poder do rentismo, propõe a força da organização coletiva. Um sindicalismo de inquilinas e inquilinos capaz de fazer da luta pela habitação uma das grandes forças de transformação do nosso tempo.
Autor: Javier Gil
Prefácio: Ana Estevens
Layout gráfico, capa e paginação: André Luz
Fora de Jogo (2026)
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A noção de casta é associada à Índia brâmane, mas, no Sul dos Estados Unidos, entre os anos de 1890 e 1960, os Negros, descendentes de escravos, eram tratados como uma subcasta, verdadeiros «intocáveis» no país berço da democracia. Jim Crow é o nome commumente atribuído ao sistema de dominação racial que os mantinha sob o seu domínio feroz e contra o qual o Movimento dos Direitos Civis de Martin Luther King se rebelou. Mas em que consistia exatamente e como funcionava?
Loïc Wacquant apresenta uma análise histórica meticulosa com o objetivo de construir um modelo sociológico rigoroso desse regime. Ele demonstra que, apoiado no mito da «gota de sangue» negro que bania qualquer mestiçagem, esse sistema era composto por vários elementos estreitamente interligados: uma infraestrutura económica de arrendamento agrícola que degenerava em servidão por dívidas; uma estrutura social caracterizada pela duplicação institucional e pela exigência de deferência permanente dos Negros para com os Brancos; e uma superestrutura de privação de direitos políticos e judiciais. Contudo, os Afro-Americanos nunca aceitaram estes três mecanismos de exploração, subordinação e exclusão. Foi, portanto, necessário consolidá-los por meio de um quarto elemento: a violência terrorista, uma violência multifacetada que paira sobre cada interação social entre Brancos e Negros e que pode atacar a qualquer momento com impunidade para transmitir uma mensagem política estridente: a imperiosidade da supremacia branca.
Este livro é um convite a repensar as relações entre casta, justiça e democracia na América, bem como nos países que, ao redescobrirem o seu passado colonial, se debatem hoje com a «questão racial».
Autor: Loic Wacquant
Layout gráfico, capa e paginação: André Luz
Fora de Jogo (2026)
NOVIDADE
NOVIDADE
Inspirado pela Revolução de Outubro, o movimento comunista mobilizou milhares de homens e mulheres em todo o mundo para a construção de um projeto revolucionário. Em Portugal, esse ímpeto deu origem, em 1921, ao Partido Comunista Português, uma organização que atravessou mais de um século de história e marcou profundamente a vida política do país. Contudo, a história dos seus primeiros militantes permanece largamente desconhecida até hoje.
Este Iivro revisita os anos fundacionais do PCP, desde a sua criação até ao IlI Congresso, em 1943, oferecendo uma perspetiva inovadora sobre um período decisivo da história do comunismo português Com base em documentação arquivística inédita e numa base de dados original construída pelo autor, a obra reconstitui os perfis sociais, os percursos biográficos e as redes de militância dos primeiros comunistas portugueses, analisando as disputas internas, as relações com a Internacional Comunista, em Moscovo, e os processos de formação de uma identidade política e revolucionária.
Cruzando história social, história política e sociologia histórica, este estudo devolve rosto e voz a homens e mulheres, cujas vidas foram moldadas pelo compromisso com um ideal de transformação social. Ao fazê-lo, oferece um contributo fundamental para compreender não apenas as origens do PCP. mas também a formação da cultura política comunista em Portugal e a sua inserção nas dinâmicas internacionais do século XX
Autor: André Costa Pina
Layout gráfico, capa e paginação: André Luz
Fora de Jogo (2026)